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30- Conselhos

27 de março de 2012

§30.1.

Boa parte do escrevi foram conselhos. Alguns claros outros, propositalmente, obscuros. Não são para todos. Nem todos para todos os tipos de pessoa. Alguns são para mim mesmo. Em nenhum momento há brincadeira, em nenhum momento vi-me raso, houve palavra tão certeira, houve casos e houve caso. Houve técnica armeira, houve fruto do acaso. Às vezes fora de mim, às vezes em mim mergulhado, mas sempre aqui nas terras altas, no topo desta diva colina. Verde, pela estrada onde passam vivos e mortos. Só quem nela vive sente-a por osmose.

§30.2.

Que conselhos teria eu ainda? Faz bem a tua parte – fá-la de modo excelente, não tenta fazer o que não te cabe. Isto pode ser traduzido, em relação a este projeto (dos 30 dias), assim: “não escreva teus 30 dias”. Se desejas aparecer, coloca, pois, uma melancia em tua cabeça e divulga a foto pelo Facebook. É ridículo ao camponês (ao rude, iletrado e naturalmente da “classe” produtiva) fingir os modos para passar-se por intelectual, mesmo que o faça “com o coração”. É tosco ver o lixeiro (por natureza) fazer o trabalho do exímio bardo. Não é uma questão de Superioridade ou Pedantismo. É uma questão de Diferença e respeito honesto à ela. À Natureza de cada um. Volta à primeira postagem: é este mesmo teu caminho? Queres que o seja sem o ser?

§30.3.

Há muita sabedoria tradicional acima e na qual devo muito ao que escrevi. Quem ama a Tradição e vê nela fundamento não cuida tanto em soar cafona, radical ou impróprio. Cuida de ressoar os valores eternos refletidos das torres de cristal além das nove ondas. Meu conselho final, para o intelectual é que cuide de sua virtude, para o guerreiro que atualize a sua, para o produtor que a cultive seriamente. Há transcendências e iluminações para cada um. Olha a Tradição: da Índia à Grécia, da Irlanda à Germânia. Lá estão as virtudes de cada um. Vivemos uma época, por certo, diferente e que exige de nós soluções para desafios realmente novos. Os deuses despertam, os ciclos se findam. O Caos, a Ordem, o Fogo e a Água. Nossa insignificância ante o universo e valor ante os mortais.

Antes que alguém me pergunte: para o pária não tenho conselho.

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2 Comentários leave one →
  1. endovelicon permalink
    27 de março de 2012 13:43

    Meio feliz, meio triste — assim me sinto, ao ler o final dos seus 30 Dias…
    Mas, então, como foi o processo, o que mudou, o que permanece?

    • marciliodiniz permalink*
      27 de março de 2012 14:35

      Endovelicom senocarante,

      O processo foi um misto de misticismo-transiástico e marcialidade. Terminei num misto de estranhamento e maravilha, mas foi algo muito pessoal e não sei se os textos passaram esta atmosfera (até porque nem sempre fora escritos sob as mesmas circunstâncias). No geral, foi uma oportunidade de condensar e expressar visões – sejam no sentido de “idéias gerais racionalmente agrupadas sobre um dado assunto” ou de “visão mística” mesmo, símbolo esfumaçado no brilho da água nova. A grande diferença para mim, tangível, é da experiência com este tipo de escrita que me forçou a dimensões nas quais a escrita discursiva acadêmica passa bem longe.

      Basicamente isto. Um grande abraço bratír!

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