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27- Um Dia Druídico

16 de março de 2012

§27.1

O que um dia druídico teria de diferente de um dia de uma ser humano saudável qualquer? Afinal, viver uma vida autêntica, sem ser escravo, pária ou parasita não é privilégio do Celtista. Antes quem dera, como já disse, se tais malezas nãos nos afligissem. Não adianta ter um “bloguinho”, nem posar de comprometido/a em comentários de Facebook. Não se esconde um graveto no sapato, uma sovela num saco ou uma meretriz numa multidão. Mesmo que estejamos cegos, se identifica a podridão do fruto pelo seu odor. Por isso, se possível, no Verão, levanta com o Sol, ora à Aurora e vai-te ao campo laborar, mas não sem antes rogar aos deuses para que te inspirem disposição. No inverno, não cuida em dormir demais, como não cuida em dormir de menos – aproveita o repouso matinal, quando a serração e o ar gélido tornam a companhia do cônjuge e os lençóis mais divinos e deleitantes. Se necessário, toma os presságios do dia e prepara-te também para o não visto. Acostuma-te ao tempo lá fora, ao sol, vento, névoa e chuvarada e reconhece cada deus. Tenha uma refeição principal, onde possas em sossego agradecer aos deuses e honrar teus ancestrais em reconhecimento sereno, de inverno a verão.

§27.2

Muitas serão as situações, onde o dia será insuficiente, a noite breve, o crepúsculo longo e o amanhecer fugidio, o estudo fatigoso, o labor inevitável, a paz pouco preferível e a sabedoria ilusória. Mas tende sempre retidão e zelo pelo divino não por vantagem mesquinha, pois não és o centro das coisas que existem, nem o filho preferido dos deuses, muito menos o deus que transcende todas as fronteiras, mas por disciplina. Como a gota da gruta, o rastro do viajante ou o salmão na correnteza. Faz tua parte.

§27.3

Sê gentil com a companheira, ama teus filhos de coração aberto. Na nova noite, medita, agradece e melhora-te, se ainda trabalhares pela noite, ora mais uma vez aos deuses do teu ofício. Descansa mansamente e de mente limpa, no calor da lareira de casa, no aconchego do lar sagrado, sob o signo do casal supremo, a proteção dos idos da estirpe e da aliança com os que rodeiam tua casa. Cada estação têm seu tempo, sua música, sua veste, e não sê tolo: reconhece o que deve ser feito no agora, pois, três coisas não têm oposição: Natureza, necessidade e morte.

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