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26- Distrações

16 de março de 2012

 §26.1.

Ávido, ávido perguntara: afinal, qual a medida das distrações dos homens? Não é difícil. Prezar pela diversão em demasia, é ser dela escravo. Embriagar-se constantemente, é não ter moral alguma. Cuidar demasiado da vaidade e sexo, é ser fraco ante a privação. Que época fácil é essa para que nossas distrações sejam utilizadas contra nós. Para tornarem-se fugas viciosas, agentes subversivos, trampolins para decadência. Basta olhar ao redor. Covardia diante da peleja da existência contamina a juventude. A distração deixa de ser tal estado de exceção e passa a ser o de regra; e aí já não distrai, destrói.

§26.2.

Não beneficia teu herdeiro, a prosperidade avarenta, o louvor dos companheiros da taberna ou a festa de diversão. Assim como trará a ti problema, se tiveres uma destas coisas como diversão: caça, guerra e flertar com gente mais nova. Lembra-te do que se obtém indo sempre à taberna: diversão que empobrece, bom humor que prejudica e alegria que entristece. Em épocas como esta, é fácil ter distrações. Temos indústrias e mais indústrias para isto, cartazes coloridos, telas brilhantes e suaves, sons engraçados e chamativos. E qual o mal com a fumaça jamaicana descolada malignamente (ou como dizem “injustamente”) proibida? Qual o mal com a veneração do decadente drogado, incapaz de empunhar uma espada e ser uma inimigo valoroso? Qual o mal com a distração que nos escraviza ante uma tela brilhante de virtualidade? Como guiar-se diante de um miríade de opções convidativas? Não é mal pedir ao celtista que seja coerente.

§26.3.

Diversões e distrações intelectuais, diversões e distrações corporais/atléticas, diversões e distrações produtivas. Um produtor pode distrair-se em algo diferente de sua atividade, assim como o guerreiro e o intelectual. Jogos, hobbies, leituras, música, etc. E podemos vê-las como distrações naturais e artificiais. Além de ser útil identificar as que são prejudiciais (a si e a outros). A terça parte que guia, além, terceira via, aponta o equilíbrio para cada um. Nestes dias, reclamo em prol de distrações velhas e naturais, como cuidar de um jardim ou caminhar pelas ruralidades. Mas isto é um apontamento tendencioso e me resta pedir que os deuses iluminem o melhor aos melhores.

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