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1- Porque Druidismo?

27 de janeiro de 2012

§1.1

Nem todos os caminhos levam ao mesmo lugar. E há demasiado pessoas que estão perdidas sem o saberem. Algumas, o estão por amores desfeitos, paixões inflamadas e ilusões; outros por cegueira e ignorância; outros mesmo por vilania e mesquinhez. Há um desejo nefasto pela fama fácil e reconhecimento fulo em muitos que trilham, sob o manto da carência, e os faz esforçar-se apenas para aparecer; confundindo trabalho sério com comentários entusiasmadamente idiotas e interessados no Facebook, ou traduções mesquinhas que não encobrem a derrota de suas vidas e o interesse no aparecimento. A névoa esconde o rastro mesmo para os que acham que saíram dela, seja para o que foi ou para o que virá. Alguns morrerão perdidos e assim é o desígnio sábio da Natureza. Podem passar anos, meses ou instantes – mas nada em vão. Por isto, ouve e sê franco contigo mesmo, se necessário, muda agora, não espera nem te agarra ao que supões ser renome e companhias agradáveis – as verdadeiras amizades serão mantidas – pois, isto pode custar tua vida. Não espere clemência divina se insistires no erro.

§1.2

Quando os raios cortam o céu tempestuoso, quando o vento deita o capim macio, quando a montanha curva os joelhos mortais em sua magnificência e as florestas silenciam os corações humanos, sabe que os deuses antigos falam a ti e que ouves suas palavras imortais. Quando no rubro horizonte de lã escarlate e velo dourado, a carruagem do disco ígneo deita pelo infinito momento, e preenche as mentes pias com reverência, sabe que os poderosos falam a ti e que ouves suas palavras imortais. Ou quando o colorido das flores bailam nos olhos, e o gemido lento da carruagem puxada pelo touro cornudo depois da aurora, vigora, ou o assovio dos galhos verdes na carreira da caçada enche o ânimo, sabe que os deuses antigos falam a ti e que ouves suas palavras imortais. Hoje chamamos de paganismo, talvez amanhã por outro nome. Quando se olha do cimo e se compreende o curso natural, não há nada de impressionante no paganismo, apesar da vaidade moderna e soberba adolescente crer que há. Às vezes nos impressionamos pela artificialidade e antinaturalismo de alguns caminhos, ou pela higiene e minimalismo de outros, mas no fundo nada humano nos surpreende mais que os poderes imortais, tão velhos, mas sempre novos.

§1.3

Mas nem todos trilham a mesma senda. Nem são todas as sendas antigas, paralelas. Por isto, sabe bem se estás entre os celtas de fato. Não há mal nenhum em não estar. E mesmo quando não estamos, podemos admirá-los e estudá-los, aprender. Nem sempre é fácil saber os motivos de nossas preferências, mas quase sempre é necessário para uma ação realmente consciente. E o tempo não trás de volta ações inconscientes. Não brinque com o tempo, isto é um privilégio dos deuses. Atem-te aos montes e vales, rios assustadores, águas terríveis e árvores assombrosas da paisagem. E há diversas maneiras de se olhar a mesma paisagem. O Druidismo é uma, com seus vários focos, o Reconstrucionismo Céltico, outra. Muitas vezes, a adesão de alguém a um ou o outro olhar, depende de emoções profundas, conceitos abstratos sobre o sacerdócio e tantas outras matizes que nem sempre fazem ver diferenças sérias, que podem ser vistas noutra ótica como irrelevantes. Por isto, atem-te aos conceitos e rótulos visando sua eficácia e praticidade, não seu acabamento.

§1.4

Se sabes o motivo das águas te assustarem tanto, ou da necessidade de se olhar de cima dos montes, de estar no fio entre o radicalismo violento e o controle perfeccionista que nunca cede, ou da paz após uma guerra barulhenta, se chama-te a retidão das pedras, encarna em ti o bosque distante: ouve bem o que te digo: os ancestrais correm em nosso sangue, o celtismo coroa nossa fronte e nosso coração deve ser puro, como o gume afiado de nossa espada sempre disposta a ação e a verdade das palavras ditas após longa meditação – não te preocupa com os que não entendem, eles não nos dizem respeito. Eles dizem ser poetas, mas não sabem o segredo do verso. Eles dizem amar cavalos, mas nunca alisaram a crina de um após um galope valoroso. Eles dizem cuidar da terra, mas nunca calejaram as mãos na enxada. E os irrita e perturba profundamente ter de admitir isto. Mas isto não é problema nosso, deixamo-nos com suas ilusões. Três coisas que o Celtismo requer: verdade de disposição, inspiração na prontidão e amor à excelência.

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3 Comentários leave one →
  1. Mayra permalink
    27 de janeiro de 2012 15:46

    Marcílio, vc nem nos avisa que vc começou os 30 dias rs. Estou acompanhando. Muito bom! Grata por compartilhar um pouco de seu conhecimento e sabedoria 🙂
    /|\

    • 27 de janeiro de 2012 20:49

      NÃO há perdão para você ter começado a escrever e NÃO ter avisado ninguém!!!
      …a menos que você continue fazendo essas obras-primas de sabedoria gnômica até o final, não nos privando delas ;-)))

      • marciliodiniz permalink*
        28 de janeiro de 2012 16:31

        Comecei a postar ontem, é que me adiantei já, eu avisei no Google+ 😉 (já que deletei meus perfis no Orkut e Facebook). Abração e agradeço a todos pelos comentários.

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